Quando a tarde se abate,
erguem-se tingidas de vermelho,
as silhuetas das casas.
Os galhos secos das árvores,
são os fantasmas da noite.
Quantas mulheres estão chorando
enquanto a luz se esvai
e o dia se esconde vigilante
nos braços sombrios da serra distante.
Quantas crianças se inundam de lágrimas
com as barrigas vazias,
as mãos retalhadas,
com a vontade silenciosa de ter paz
nos olhos e nas palavras.
Quantos homens descalços
sufocam nos gritos de uma canção,
enquanto se destroem os muros
no dilúvio irreverente da razão.
Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Gil



