Encosto ao vidro os meus olhos encharcados,
debruçado entre as pedras da calçada.
Olhando o chão, pouso os meus braços cansados,
sem saber se tem regresso aquela estrada.
Senti no peito invadir-me a nostalgia,
arrastei amargurado, o meu caminho.
Sem saber se era um sonho que eu vivia,
se um punhal rasgar a pele devagarinho.
Mas aqui dentro de mim, embora ausente,
ficou o nosso abraço, o peito quente,
o adeus de um coração que sangra e chora.
Nas minhas mãos, agitadas e desertas,
eu sinto as tuas, torturadas e inquietas,
porque é em ti que a minha saudade mora.
Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Gil







