
Deixem que elas corram ao prazer do vento,
deixem-nas dispersar rente ao prado ondeante,
deixem que as espigas do meu pensamento,
debulhem uma intriga no teu seio de amante.
Que arrastem num grito a minha castidade,
que encham num beijo o amor e a solidão,
que nos lábios livres mordam a verdade,
e os laços se cortem onde aperto a paixão.
Deixem-nas cair onde eu vou beber a mágoa,
onde as espigas se soltam e me ferem o peito,
onde o chão somente rompe em pedras crespas.
Que afastem na aragem gotas de olhos de água,
se soltem correndo em lento e calmo leito,
e em pranto se forme um rio de ervas frescas.
Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Gil