Choram as folhas devagar,
com os olhos postos na distância,
arrastadas pelo vento.
Tombam nos lagos talhados nos jardins,
como o sémen do Outono,
deitado à terra sem tempo.
O vento sopra passivamente,
acanhado pelo Verão que expirou.
Carregando nos ramos agrestes,
as folhas que se soltam
dos troncos silvestres.
A chuva molha os olhos da noite.
Encharca as minhas margens,
transborda dos rios
que alaga os meus leitos.
E desenha turbilhões
em meus sonhos desfeitos.
Mas não sei se quero este Outono.
Preferir a Primavera florida,
ou então o frio do Inverno,
para acalmar o meus dias.
Vou começar a olhar os lagos,
onde as aves procuram as folhas submersas,
entre as águas mais frias.
Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Gil