quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Incerteza


Encosto ao vidro os meus olhos encharcados,
debruçado entre as pedras da calçada.
Olhando o chão, pouso os meus braços cansados,
sem saber se tem regresso aquela estrada.

Senti no peito invadir-me a nostalgia,
arrastei amargurado, o meu caminho.
Sem saber se era um sonho que eu vivia,
se um punhal rasgar a pele devagarinho.

Mas aqui dentro de mim, embora ausente,
ficou o nosso abraço, o peito quente,
o adeus de um coração que sangra e chora.

Nas minhas mãos, agitadas e desertas,
eu sinto as tuas, torturadas e inquietas,
porque é em ti que a minha saudade mora.



Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Gil


43 comentários:

Chá das Cinco disse...

Parabéns Vitor!
Mais uma foto maravilhosa e mais um poema encantador.
A saudade sempre será um lindo tema para compor.
Tenha um bom dia.
Um beijo meu amigo
Gemária Sampaio

RosanAzul disse...

Olá querido Amigo!
Lindo demais o teu soneto, assim como a imagem. Parabéns a ambos.
Meu beijo azul! Com carinho,
Ro

SAUDADE

Saudade,
dor que caminha
em passos silenciosos
na sala de estar
de minha alma.

Rosana Souza

magna disse...

olá vitor,como vai?muito lindo seu texto,ameiiiiiii,com certeza fotografias que rimam!

angela disse...

Ai meu Deus! Como doi.
Poema tão expressivo, já fiquei assim na vida.
A foto bonita e cinzenta acompanha bem o poema.
beijos

José Carlos Brandão disse...

Bom voltar a lê-lo, Victor Gil.
Mesmo sendo um poema tão dolorido. Saudade. O amor irmão da dor. Mas a poesia consola.

Um grande abraço, meu amigo.

i am... disse...

Traicionera melancolía que desempolva recuerdos reflejados en un vidrio mojado y atraviesan el alma y el corazón...
Encantadoras letras de tristes añoranzas

Mi cariño y un beso desde este otro lado

M. Angel disse...

Te invade la nostalgia, te llenas de melancolía y desempolvas recuerdos.

Victor Gil, la traducción no es muy perfecta, pienso que imperfecto será mi comentario.

Como quiera se nota tu sensibilidad en cada verso tuyo.

Saludos

Mª Angeles y Jose disse...

Bonito, muy bonito y lleno de muchos recuerdos.

Besos

Nydia Bonetti disse...

Que poema forte, Victor. Passa tanta verdade, tanta dor... Em momentos assim a poesia consola, redime, salva. A poesia nos sustenta. Um abraço, meu amigo.

João de Sousa Teixeira disse...

Não sei se esta linha é do "nosso" comboio. Se é,também transportei nela a minha bagagem de saudade durante muitos anos.

Abraço
João

CANTACLARO disse...

.

Víctor,

Este poema me llega hondo, me conmueve, me contagia nostagia y dolor.

"Senti no peito invadir-me a nostalgia,
arrastei amargurado, o meu caminho."

Y,

"...Esas manos" ¡Por favor!

Besitos mi querido poeta,

Ana Lucía

.

AFRICA EM POESIA disse...

Vitor Gil

Na imagem e no meu poema...

estamos juntos


Gostei muito da tua poesia...
um beijo

Silvana Nunes .'. disse...

Muito me honra o seu carinhoso comentário. Escrevo as histórias com muito carinho e fico feliz quando são bem recebidas. É a paga pelo tempo que fico debruçada nos papéis escrevendo. Muito obrigada mesmo.
saudações Florestais !

Dalinha Catunda disse...

Olá Victor,
Lindo seu soneto. Imagem maravilhosa. A saudade e a dor sempre rendem belos poemas.
Cada vez que o poeta perde um amor ele ganha novo poema.
Rabisquei uns versos inspirada em seu soneto.
Um abraço carinhoso,
Dalinha

Entre quartetos e tercetos
Dou asas a minha dor.
Um soneto uma saudade
Foi tudo quanto restou,
De um amor tresloucado,
Uma paixão do passado,
Que tanto me encantou.

Cris disse...

Qué buen soneto, a saudade, la nostalgia muy bien retratada. Dentro de mim nosso abraço, en tí a minha saudade mora, bellísimo.
Un cariñoso saludo

Princesa disse...

Obrigado pela visita

e por fazer parte dos meus amigos.

Os amigos marcam,

a andar,

o ritmo do Universo,

compasso vivo

que marca o tempo

e o andamento

do amor...


Beijinho

Sonia Schmorantz disse...

Lembra de um poema que escrevi? Saudade é assim, como a solidão do poeta, tem nome e endereço, mas é só a saudade que nos faz companhia...
Um abraço, lindo final de semana!

Regina Fernandes disse...

Olá Victor

Visitando seu blog me deparei com essa maravilha de poema! Amei!

E destaco a frase, "porque é em ti que minha saudade mora" que encerra com chave de ouro esse seu soneto de amor e saudade.

Bjs
Lindo final de semana.

Chris disse...

Um soneto envolvente, entre a nostalgia e a inquitação...
Bom fim de semana
Bj
Chris

Sônia Brandão disse...

Sempre com belas imagens.
Seu poema mostra que também na dor pode haver beleza.

bjs

Silvana Nunes .'. disse...

hahahahah conheço bem essas histórias. a minha ex-cunhadinha vivia metendo medo nos filhos durante o ano, com o homem do saco, bicho papão, o mascarado, o bate bola... quando chegava o carnaval, ela queria se mandar para a rua e os pais dela faziam ela levar os filhos. Ah...era o problema: os garotos não queriam sair com medo de tudo e ela metia a mão neles.Coitados.

A Teoria do Kaos disse...

Olá,

Gostam de animais?

Então visitem o Grupo Animais em Portugal

http://groups.google.pt/group/animais_portugal?hl=pt-PT


Cumprimentos,

Unseen Rajasthan disse...

Beautiful Words and fantastic shot !!Unseen Rajasthan

cristinasiqueira disse...

Gosto do jeito luso de expressão...
tudo é nostalgico...o comboio,o túnel feito de escuro.A foto .
Bonito.


Cris


um convite-www.cristinasiqueira.blogspot.com

Dan disse...

Oi Victor,


Mais uma maravilha que nos oferece!

Abraços

Belkis disse...

Hermosas letras de añoranza, amor e incertidumbre. Un placer leerte.
Abrazos cariñosos

Sonhadora disse...

Lindo o seu poema, vou voltar mais vezes

Paula Raposo disse...

Visito-te pela primeir avez. Gostei imenso do que li, vi e senti...beijos.

Branca disse...

Ei Victor!

Da saudade sempre surgem os poemas mais bonitos e tb os mais sentidos...


Desejo a vc um excelente dia e, em tempo, uma boa semana! Bjo carinhoso!

uminuto disse...

Lindo este espaço onde as palavras rimam na perfeição com as imagens
um beijo

elisa...lichazul disse...

ay victor

se me fue en collera la lectura aún usando el traductor on line :(

pero hay pasajes que me hicieron cavilar
Mas aqui dentro de mim, embora ausente,
ficou o nosso abraço, o peito quente,
o adeus de um coração que sangra e chora.


dentro de uno existe una certeza que se anida en el amor y que a veces no tomamos en serio cuando el corazón nos habla

besitos de luz

Alicia María Abatilli disse...

Placer visitarte Víctor, ambos tenemos el mismo gusto, la fotografía y las palabras.
Una a veces supera la otra, pero siempre están.
Alicia

Lídia Borges disse...

Quando a nostalgia vem, as mãos "agitadas e desertas" precisam sempre de outras mãos presentes e abertas.
Muito bonito, o seu soneto!

Obrigada!

Renata de Aragão Lopes disse...

Um belo soneto
amargurado...

Um abraço,
doce de lira

Sight Xperience disse...

A blogosfera tem destas surpresas... aqui cheguei por acaso, mas fui ficando e rendido estou à suas imagens e escrita.

PARABENS pelo excelente trabalho.
Obrigado por partilhar a sua mestria!

Ana Martins disse...

Lindo, muito lindo este soneto!
Quanto à sua ausência em meu blogue, não se apoquente com isso, eu não levo a mal e se formos a ver por esse lado, então eu também estou em falta para consigo.

Beijinhos,
Ana Martins

Tais Luso de Carvalho disse...

Olá, amigo Gil... que a saudade dói não tenho dúvidas, mas como ela ficou linda no teu poema!

bjs, amigo
tais luso

Fernando Santos (Chana) disse...

Bela fotografia...belo soneto...Espectacular....
Um abraço

Gaspar de Jesus disse...

Mais um BELO POEMA!
Parabéns GIL
Obrigado pela visita
Abç
G.J.

Gordinha disse...

"porque é em ti que a minha saudade mora" Bela frase! Gosto dessa sensibilidade!
Belo soneto!


Abraços!
=D

Drica de Assis disse...

Nem sempre nossa estrada tem regresso, o que fica são belas paisagens na memória que farão sempre parte da nossa história.
Profundo soneto... O tempo que as vezes nos tortura, também cuida de tratar as feridas abertas ao longo do caminho, então podemos olhar para trás e sorrir ao lembrar da bela caminhada que fizemos.

maria disse...

Meu amigo é tão bom te-lo na minha modesta casa e reconfortante por saber que lhe trago boas recordações.
Um beijo e parabens, o poema é lindo.
MARIA

Elaine Barnes disse...

Maravilhoso! bjs