Um rosto perdido, a solidão da paragem, a demora da tarde, a incerteza da vida. Na pátria desigual, o gemido da aragem, no olhar distante, a terra esquecida.
Os vidros listrados, as linhas direitas, o corpo dobrado, as distâncias longínquas. Aguardas no adro, o trilho que espreitas, na nudez empedrada, as palavras usadas.
As botas cansadas, a gasta bengala, arrojas espadas aos moinhos de vento. Os olhos vigiam na tarde que embala e a noite se acerca em remoto lamento.
Onde as sombras tristes escurecem os muros e os velhos bancos gastos pelo tempo.
Tenho intenção de trespassar estas linhas, apesar de não saber que sonhos vou acordar. Quem vai estar à espera neste trilho incerto, que carris seguir nesta rota errante, que atalhos vadios eu vou enfrentar.
Acontece de novo um vulto de mulher. Mas pode ser somente alucinação, por vezes apenas a imagem desfocada. Embora dentro deste varado coração, habite um guerreiro entregue à espada.
Talvez não queira soltar as minhas raízes, movido pela confusa agitação do desejo. Porque insisto em ficar aqui parado, com a dor partida e o corpo amarrotado, com a luxúria sensual que tem meu beijo.
Mas desta vez vou saltar os obstáculos que me embargam os movimentos, que não me deixam deslocar para outro lado. Acho que vou atravessar estes caminhos, vou deixar para trás o meu passado.