Junto ao velho muro gasto pelo tempo,
jaz a velha ”pasteleira”.
As gastas pedaladas,
os raios incertos,
os furos que teve,
são riscos dos tempos.
Andou na borga com a vida,
andou na vida com homens,
andou na vida com mulheres.
Foi companheira de copos,
de beijos, gozos, prazeres.
Andou por caminhos de terra batida,
ruas, ladeiras, atalhos.
Carregou couves das hortas,
guardou rebanhos de gado,
andou na pesca, na caça,
fez do pedal o seu fado.
Já correu montes e vales,
foi soberana das estradas.
Com ferrugem na corrente,
junto ao muro gasto da casa,
repousa agora indiferente.
Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Gil