sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A Chegada...



Chego acenando ao cais das amarras vazias,
onde não existem marinheiros ancorados,
nem gruas ou guindastes,
nem tesouros em ilhas desertas,
nem barcos ou tempestades.

Por isso regresso sempre aqui com as ondas nos olhos,
ao aço frio das linhas confusas.
Onde as fragatas não têm velas,
as frotas estão sem arrais,
e os mastros sem caravelas.

Porque é aqui que eu quero o fim da minha jornada,
que agarro o leme do meu tempo,
que as minhas linhas se juntam
e sinto o cheiro da terra molhada.
É aqui o porto da minha chegada.


Texto: Victor Gil
Fotografia: Pedro Gil